Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica



Educação para a vida: em busca da formação crítica

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altOpiniões fortes de assuntos totalmente diferentes, mas que ao serem trabalhados em conjunto resultarão numa ação comum. A Conferência Temática III: Educação, Tecnologia e Sustentabilidade, que aconteceu na manhã desta quinta-feira (31) durante o II FMEPT, foi surpreendente e emblemática. Os debatedores Enrique Leff (à dir. na foto) e Jon “Maddog” Hall falaram sobre o poder do capitalismo em criar currículos que visam à formação do trabalhador para o mercado de trabalho e não para a vida.

Ao se intitular “o Homem Mau”, o diretor-executivo da organização Linux Internacional, Jon Hall, enfatizou que o Brasil precisa construir o seu caminho e crescer na direção certa. Para ele, é fundamental que as universidades e o ensino técnico no nosso País ensinem os estudantes a serem críticos através do aprendizado para a vida. “O uso de softwares livres instiga o estudante a pensar livremente e adequar as ferramentas de tecnologia de acordo com as necessidade da sua comunidade. Devemos ensinar o desenvolvimento distribuído, o envolvimento e a inovação, os princípios fundamentais de que aquilo que aprendo hoje será útil sempre.”

O sociólogo ambientalista Enrique Leff foi profundo à análise da relação do homem com as tecnologias e as relações individuais que elas estão gerando. “A crise ambiental reflete a crise civilizatória. Os seres humanos construíram um mundo que culminou na crise da condição humana no planeta. A reflexão sobre as nossas vidas, com uma educação transformadora, nos ajudará a pensar sobre a natureza humana em si. A tecnologia é maravilhosa porque posso acompanhar de qualquer lugar do mundo uma ópera que acontece em Nova Iorque, mas a sensação de estar no teatro em contato com as pessoas é uma experiência insubstituível”.

Essa organização de mundo global que criou o ”Homo economicus”, segundo Leff, transformou a relação social, e a educação tem um papel fundamental neste processo de reversão. “Para sair na frente é preciso preparar as pessoas com pensamento crítico para ocuparem os postos de trabalho em posições de produção de tecnologias com ideais que transformem o mundo e gerem mudanças”, reforçou.
O segredo para Hall é treinar o pensamento, mas esta tarefa não acontece somente nas universidades. “O conhecer, aprender, é uma experiência vitalícia. É preciso ensinar a partir do ventre, desde o início, e os pais têm papel fundamental nisso”.

Pensamento livre e a transformação

De acordo com os debatedores, o pensamento livre acontece quando as pessoas são emancipadas e refletem sobre a socialização humana. Ele acontece quando as pessoas usam ferramentas que as permitem entenderem como elas foram construídas, no caso, o software livre.

Liberdade para transformar. Liberdade para pensar. É a educação crítica que proporciona a liberdade de ação e pensamento para que as pessoas tenham condições de reconstruir o modelo de mundo para criar vários outros mundos possíveis. “Outra economia precisa ser montada com uma nova forma de nos relacionarmos entre nós, com ética e proximidade. Um mundo racionalmente ecológico e natural nasce com as discussões, e a educação tem esse poder”, disse Leff.

Ao final, a conclusão unânime dos debatedores foi em torno da caminhada necessária para a reconstrução de uma geração mais crítica, questionadora, reflexiva e que só será possível com mudanças significativas na forma de fazer educação. “Não há mais tempo. O que temos hoje é a geração de um mundo insustentável, que degrada o meio ambiente, e não serão as tecnologias mais modernas que reverterão isso”, reforça Leff.

Jon finaliza explicando que no Brasil, ações reflexivas, principalmente na educação, representam a liberdade de um povo em tomar as suas próprias decisões. (Nicole Trevisol)

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